quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cosmopolitan (Part III)

- Com a mesma falta de vergonha na cara eu apodreço, procurando minha insônia, sua falácia, obstruindo os terremotos de uma vida pouco sensata, de modo que eu não quero e não devo, deixar que se aproxime! Não quero e não devo deixar o foco oprimir suas veias, minhas maldades e nossa pouca atmosfera nudista. - Caminhava pelo corredor de mesas, outorgando seu ponto forte. Proferindo aos dois únicos seres presentes, graves e mais graves de adjetivos falhos, nuances obtusas, e português oblíquo.

Algumas palavras poderiam descreve-lo como um homem pronto para o recomeço. Magro, pálido, elegantemente vadio, de modo nenhum seria só mais um com os dentes podres, olheiras fumegantes entre portas abertas para sua própria percepção. Destemia-se entre quatro paredes como poucos no universo paralelo de vossas próprias expectativas. O tipo que rezaria de joelhos aos pés de uma meretriz qualquer, um copo de uísque entre o ódio proferido pelo amor de deus, a última morada seria seu semblante como um soco na parede oferecia uma grande e boba satisfação. As pedras entre os rins, o amor derramado pelo asfalto, o ultimato ao céu, inferno e oferendas míticas. Seria o exu entre o termino, o demônio palhaço de circo sem futuro, um pouco de si mesmo que não encontraria em farmácias, outdoors, ou idosas fornecedoras de narcóticos.

Suicida, absolutamente maníaco, irritante e desmotivado, filho do asfalto, moleque de recados de si. Aos pés da santa. Embalado sob o hit do verão passado, encurralado entre desconhecidos e afins, absolutamente marginalizado por seu destino, de modo que não aparentaria outra forma senão a de um animal selvagem, do qual se meteria com a polícia pela mulher amada, um campeão do romance romano, um Erasmo dos dias modernos, e um critico de poucas palavras. Essas seriam minhas percepções, esses seriam dois dos quatro cavaleiros do apocalipse dentro do nosso belo bar.

Sentou, procurou um banco vazio, e aguardou que em seu esqueleto aumentaria os níveis de tesão, tensão e pó. Clientes antigos, dois de nosso próprios espíritos, dois de um sangue ralo, fedido, e polvilhado. À vossa maneira, o destino de muitos aguardavam-se em destino de poucos. O clube dos corações partidos, não por amores brutos, ou por intrigas mesquinhas e comentários impertinentes, apenas corações cansados, psicotizados, tênues e obrigatoriamente frustrados. Os quadros, as paredes, rendiam homenagens aos espíritos que residiam alí. Os corpos embriagados, e o gozo esporrado em suas faces, atribuíam à face de deus. Malditos porcos iluminados, malditos corpos mesquinhos entre facas e espetos. Amava todos eles.

- Um copo do seu pior uísque meu caro. Pouco dinheiro e pouca satisfação fazem de todos nós bobalhões. - Ergueu suas mãos ao teto como se houvesse alguma entidade em seu corpo, de modo que fora servido com a mesma classe de sempre, muito embora a atenção ainda se voltava para antigas personagens morenas, duras, e gostosas. E mesmo abduzido de pouca atenção e risos cinícos, continuou: - A minha história não interessa, o meu caráter é valho, e de maneira alguma quero sair dessa porra toda! Os cronistas me refletirão holofotes, a chuva irá tomar conta do meu corpo, sexo barato, putas de rua, bêbado sempre irei ficar e reintegro uma vontade. Sociedade Produtiva que se foda!

- Do que diabos você está falando, cara? - A pequena se pronuncia, olhando pro seu copo, como se desse o mínimo de atenção necessária para domar o flerte.

Ele sorri, retorna o olhar para os ombros, malicioso como um rato procurando comida. - Falo de sinais, falo de semiótica, falo de câmbio financeiro, e de senhores de meia idade que tem dinheiro no bolso. Falo de pseudo comunistas que rezam em cartilhas capitalistas, de toda essa gente que não ouve direito. Todos os macaquinhos de circo, que amam os julgamentos, assim como eu, mas não desvendam sua honra ou nudez à humanidade, e proferem tiros, ordens restritivas, verdades absolutas e plenas em todo e qualquer recinto em que se sintam ofendidos. É engraçado como a dupla criação sempre reside em nossos corpos.

- Rá! Isso é claro, todos nós julgamos, somos cíclicos, temos tensões menstruais, e falamos milhões de besteiras, mas isso não é motivo pra você se achar superior aos demais, certo gente boa? - diz Maria, a virgem.

Naquele pequeno instante de fúria, em que o debate existencialista de paixão e ódio social compunha se feito a causa e o efeito, gasolina jorrava à alguns passos dalí, na ponte do rio que descia, na crônica da futura sorte, de poucos sortudos. Onde alguém certamente perdia o tesão, a tensão. Dentro de um automóvel limpo, branco de doer a visão. O recomeço, o fim, as linhas escritas em seu epitáfio, o caos criativo, acomodavam se em uma cidade pouco drogadita, chapada de anti alérgicos, anti depressivos, cuspindo nos "zumbis do crack", arrotando naturalidade e prometendo saúde mental ao seu fogo.

A próxima canção seria cheia de sorrisos prontos, faces cíclicas de profissionais neo liberais, sozinhos com um mau cheiro exalando de um som negro, de um pássaro prostituído e nada compreensivo. As tripas dos que se importam com amor, paixão, e metafísica, anunciariam que se fariam coração, eternamente dono de nosso júizo. Naturalmente e não natural, mente, corpo, e espírito errante sem paz, sem sossego, como uma personalidade frágil não tênue. Não era de palavras tênues, e sim de cortes no corpo, remédios nas veias e a arrogância furtiva de personas inteligentes. Nossa Era, seria de casos críticos, de histórias vistas em todos os becos, residências e websites. O jornal estampa, os elogios, o gosto pelo vingativo, e a hipocrisia pós moderna. Nosso bar apenas uma casa, um shallon judeu. Um pós mortem, uma adoção de doçura ao que se estampa pouco e amargo. Os dias curtos caem como as sentelhas patéticas que obesos proclamam, de modo que nosso ambiente recepciona o furto primordial da criação divina, a elaboração da guia, do cabloco, e o saravá!

Agora somos em três, discutimos e ouvimos antes de cantar, de modo que o que nos opõe se aproxima, a saga da verdadeira fumaça inexistente, da teoria do Super homem, das bobagens sociais, das nossas ciências xulas. O universo é tão ateísta como o sujeito que fuma, e saliva com fumaça presa nos dentes. A sessão de descarrego começa com três formas, e prossegue, a caravana insiste, no asfalto, no "não faça isso, ou aquilo", em seu, no meu jeito confuso de ser "Patético".

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Cosmopolitan (Parte II)



Quantas palavras poderiam sair de sua boca? Em alto e bom som, com clareza determinada, de modo a conquistar os braços dos ouvintes, expectadores, e afins, ela sempre proclamava sua liberdade. Morena, pele alva, assassina por natureza. Rompia com deus da mesma maneira que romperia consigo, e de variáveis formas possíveis torturaria seu próprio espirito. Costumava dizer que pesava tanto, o quanto carregasse consigo, que outrora era de cerca de 90g. Dos cabelos finos, à pele macia, ao desejo de todos os marmanjos entrelaçarem-se em usas coxas rabiscadas. Altiva, durona, classe não lhe faltaria quando queria, coração de modo algum lhe perdoaria, angina, esse era seu mal. Os ciclos menstruais, tão banais quanto as notas de reais que brotavam em sua bolsa, à sua maneira, durante vários anos foi feliz. Torturou, matou, e reviveu velhos amores com grandes planos, até dominar seus infelizes enganos. Usava echarpes, cabelos bem cortados, mexas tão douradas e apetitosas como os últimos raios do dia, sapatos bailarina quase sempre vermelhos, e um pouco das anedotas de todos os pobres que já à procuraram.

Sentava-se nos últimos dias, sempre na mesma fileira do balcão, no mesmo sujo e redondo banco. Salvava-se de si mesma naquele espaço. Uma cerveja, sempre começava com qualquer uma que fosse forte, e clara, apesar de sua pompa, sua elegância, e seu soar requintado, gostava do simples, e o simples sempre fora o seu pecado, de modo que se um bem fizeram à ela, fora provar sua beleza e cuspir em seu status. Metódica em protocolos de banheiras etílicas, começava a degustar sua cerveja e logo após enviava sinais gráficos ao seu aparelho visual, rogava como uma virgem pelo seu primeiro cigarro e de modo algum, expunha aos que se interessavam seus pecados. Bandoleira, pistoleira, armada até os dentes de nossas preces mais angustiadas.

O garçom a servia com afinco, os olhos negros saltavam como duas jóias aos seus sapatos. Não que ele se interessasse pelo seu corpo, pelas suas curvas perigosas, ou pelos seus passo-a-passos, não que ele em seu presente quisesse constituir família, ou cometer velhos erros do passado. Estava alí, sem fingir comprimentos, sem soar extravagante, apenas para deleitar-se dos novos planos, do futuro incerto, da dor que este provocaria em outrem. Sadismo, apenas isso e nada mais e para ele, o balbuciar vermelho dos lábios dela eram sempre os mais aliviadores. Gozo.

Os pormenores de sua epopéia eram de fato interessantes, mas não à ponto de tortura, não ao ponto vermelho de um bife. Eram apenas historias de crianças brincando com suas maldades afiliadas, traziam um teor cômico, baixos, alto, de modo que não era de onde vinha, pelas entranhas de sua querida mamãe que importava. Não isso era apenas um preço à pagar pela companhia agradável. A tortura estaria em seu presente do passado, e talvez com sorte, em seu futuro imperfeito. Há pouco, deixara um senhor na merda sem saber. Sujeito insano, ele pelo que ela diria e isso pressuponho eu, iria do inferno ate onde necessário para ouvir palavras dela, mesmo que fossem para sodomiza lo. Era capaz de caminhar quilômetros apenas para ver os lábios sussurrarem algo que o fizesse transpor o limite do acatável. Aqui, ele jamais entraria com ela em posse, e tão destrutivo ela fora, que nem mesmo ela saberia se teria sido. Gosta disso, ele gosta disso, o garçom mais ainda.

Dizia tal moça que esteve cerca de dois anos dividindo sua vida com o traste, de modo que nem mesmo traste seria um bom adjetivo, às avessas de compromissos, às avessas de seus gostos, discutiam, se amavam, aterrorizavam a vizinhança, e por fim, tinham uma vida convencional. O que era em suma, um inicio promissor, desenvolveu nela um medo pelo futuro certo e quadrado, de modo que ao que consta nos anais de sua vida, terminaram por incompatibilidade de ideais futuros, o que em mínimas letras diria seu narrador, ela já o queria chutar. De modo que isso é o que menos importa, aqui ela estava refeita, cansada, mas não solitária, aqui ela buscava apenas uma cerveja, e nós vermes, buscávamos mais. Mais de seu corpo, mais de suas palavras, mais de sua felicidade, mais de suas poucas e boas torturas. A visão pode parecer-se turva, e nada clara, mas a narrativa era encantadora. Dirigia-se com um reflexo alpino ao garçom.

- Carlos! Mais uma cerveja honey! - Olhos fechados, boca entreaberta, e frio calculo de opções.

- Claro madame, pra senhorita, quantas forem necessárias. - Pega a cerveja, caminha ao encontro do Diabo, e confere a marreta em seus chifres. - Sabe! Estive pensando. Você do alto da juventude, dividiu dois apartamentos, com dois caras completamente diferentes, e como me disse à pouco, ainda assim seus terminos foram extremamente semelhantes. Realmente se cansa da próprio vida tão rápido assim?

Ela ria, compulsivamente ria. Escondia as mãos, domesticava sua lingua e proferia.

- Rá! Hilário você honey! Sempre com perguntas inoportunas. Alias, por que tamanho interesse nas minhas cagadas?

Educadamente Carlos, o garçom destemia-se. - Ora madame, ossos do vício. Saber é algo que me cria sempre boas histórias futuras, e assim eu sempre procuro ter gozo no trabalho.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cosmopolitan Pré-fácil (Parte I)


As árvores trêmulavam sob os ventos de vossa biografia, tênue, os ares do espiríto cantam como pássaros soltos do cativeiro, até os vira latas merecem mais sossego. Uma vez recompensado com suas garrafas soltas sobre cérebros desalmados, e por vezes corpos desnudos, altamente desprovidos de ser, se acumulavam em sujos e belos colchões. A vida não poderia ser menos bohêmia, menos chula, menos moral. Se você deparar-se com atualizações de face a face, facas no pescoço e borbulhar do café fervendo, e começa se a pensar em como pensar. A biografia é apenas tempos um tópico dos dias modernos, e o Cosmopolitan um drink com variável des-graça, de modo que todas as bandeirolas de são joão são tão, ou mais, abrasivas. Literariamente diria o ser, "Nem tudo é litúrgia" e eu acrescentaria que nem tudo é um pedaço de rim. Face a face com o cowboy de drogaria, que errante vaga pelos cantos, ou pelas farmácias obstruindo passagens, ou mesmo de frente ao gigante locutor, carinhoso e de afetuoso bom humor.

A cidade para, e cresce como um verme dentro postulado em si. Dentro de studios, dentro de casas privês, dentro de rabiscarias, de maneira alguma o cheiro poderia ser diferente do que o do ralo exposto pelos ideiais "Comunistas" da nossa querida burguesia, bigodes, barbas e papeis, não atribuem cargo aos "merétríssimos" poucos "Dons de porra nenhuma".

Essa é a história, e esses são os fatos a prosseguir. Conta-se a cronologia dos deuses e entrelaçam se na acomodação dos nobres mortais. Demagogia solta em furta cores, estilo d e vida, luxo na boca do lixo, e lixo em todo o restante de seu luxo. Captada entre os egos de senhoras de meia idade, garotos tolos, vingadores de baixa moral, crianças manipuladoras, memórias postumas de quem se foi para um Cosmos alternativo, e assim vão eles. Chafurdando-se nas ruas, enchendo o peito de ar. Quites de desenvolvimento falho e o garçom só se era ouvidos.

Sala retangular, poucos bancos à frente do balcão de infortúnios alcoólicos, de modo que o ambiente se via em tons de amarelo, sépia, e demais regionalidades. Alí alguns poucos hérois frequentavam assíduamente, alí poucos davam alôs ao futuro brilhante, de modo que eram quase sempre desempregados, bandidas, e pastadores de latrinas. Obrigar-se a ser sociável era o trabalho daquele que ocupara o posto de "batedor de carteiras etílicas", sujeito magro, moreno, cerca de pouco mais de um e setenta de altura. Servido de suas armas "destilativas", de toda a dopamina que poderia jorrar ao balcão, todos os corpos que alí ainda iriam se adormecer, e por que não, de toda a narrativa cruel e enjoativa. As sobras dos petiscos, ao cheiro de vômito, as cinzas no chão e a verdade clara, surda e nua como um pedaço de algodão, afinal nem tudo é sujo, mesquinho, ou controverso.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Monólogo ao pé do ouvido

- Dez mil diabos soltos entre seu portão, e então não aponte o dedo pra mim, não doe além do que pode estar perto de ti!

Essas palavras ricochetearam pelo salão, em voz alta, tom vibrante, e pouco a pouco desfalescida. Ocupado com teus gatilhos, respingos e pontos de mácula. Da retórica ruim, do falho português e das advertidas conjugações e interpretações de texto erradas.

- Ora! Basta, não fique tão perto quanto um guaxinim roubando lixo alheio. Você já caminha demais sobre o asfalto, proclama por poucos e se abaixa demais! A violência contida nos quadrinhos, nas esquinas e os travestis pedindo socorro mútuo aos policiais. Chega de boca do lixo. Boa escrita não é mais sexy! E você está na lácuna dos porcos, cretino!

O temporão, o filho de caim, saudava assim seus proximos convidados!

- Muitos talentos e boas poucas serventias, não se reprima em troca de contatos com hipocritas como você, não se torture com correrias como um Cheetah!

Os próximos pensamentos podem ou não serem artísticos, ou não ter graça, gala, à altura, mas não estão inseridos em contextos cinícos ou de duas caras! Nunca houve uma máscara, e como Bowie se cria e recria, nada há para se fazer valer em dias de chuva intensa, calor exaustivo e brutalidade em rins roubados. Pense caminhe e trate de roubar um banjo!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Click


Click, fora o efeito sonoro do furto de seu ventilador, o calor estava insatisfatóriamente desgastante, degradante e entre os furtos e furos nas orelhas, ressoava entre os dentes o pouco português que sempre nos falha. A fumaça, continua, inflamando os pulmões de densidade demográfica, justificando os meios aos finais. Eram quase meia noite naquele apartamento de estofamento nitidamente brega. As pestanas fechando tanto o quanto fossem necessárias, e o sobrenome se alteraria por gosto próprio da malandragem. Dos sons nada pode se dizer além dos ecos sob o silêncio em pensamentos torpes em literatura barata, culminando em sorrisos satisfatóriamente debochados. Maldita liturgia.

- Certo rapaz! - Pensou rápido e ávido, de modo a marginalizar a postura recorrente de si mesmo e sorrir pela falta de argumentos plausíveis apresentados.

Todos os comprimidos, despojadamente deixados para poder dormir, e todos os blás ditos a si mesmo em seu núcleo doentido passaram a ser uma distração fugaz, tanto quanto o demônio teria em um carteado. O prazer já se via como o de uma meretriz de classe aconchegada ao sofá, contando sobre "As incriveis aventuras de Gulliver", de modo que o sexismo deixava para a realidade dos fatos, dos corpos e da sujeira entre tais quadris, em um balançar frenético, em uma sorte de fome por absurdos. Click, e o cigarro na boca pensando em todos os combos gráficos que poderia instaurar, em toda a vista pro mar que teria e almejava alcançar. Sorte, fortuna e poucos amigos, assuntos meramente ilustrativamente sujos, sacanas e totalmente literários. By your side tocando desprovida de anúncios no rádio, bons e velhos tempos de malandragem recaíndo aos ombros sem dolo algum e a campainha tocava intermitente. Levou se aos berros.

- Que passa porra!- Caminhava e caminhava, torpe pelos corredores, acordado, zumbi do mato enjaulado, e porra nenhuma o vestia. Os pensamentos eram de tensão, tesão e outras atrocidades com "T". Pensara também que se todo excesso fosse visto como fraqueza e não como insulto já o tiraria de seu sufoco. Abria a porta semi nu, sem fontes ou clareza na vocalização.

- Humm... Você?...

- Sim! Eu...Não gostou? - Mortalmente vestida, velórios costumavam ter menos roupas.

- Não, esperava mais de você pequena.

- Mais? - Levemente alterada, adentrou sem nenhum convite, sem nenhum dolo. Nem mesmo um minuto à mais poderiam ranca la de sua pouca e literata vestimenta, tal qual Golias, tal qual o mito do minotauro.

Fechou a porta, e de pronto, sugou sua sáliva, ácida, pecaminosa, e nada puritana.

- Na verdade você pode querer tudo, mas não pode ter! Tá na sua face mas não colado nas tuas mãos. - Respondeu com um certo humor nos lábios.

Ao que os deuses podem profanar, ao que os mesmos podem outorgar, o dia riria de si, menos românces e muito mais ação. Naqueles segundos, os preciosos Sí bemois eram pontos de quem adentrasse com mais ardor às pernas do adversário, puramente brindando ao aprendiz de diabo e rogando da virgem sua virginidade. Meia hora depois, chuva de sangue na avenida de são miguel, cigarros em brasa e corpos em massas, a verdadeira fonte da idealização comunista saltaria da base alimentar do proletáriado, e não de seus bens como diria papai noel. Era notória a fumaça e o básico desconforto em se pronunciar quaisquer sílaba. Qualquer fonte de ar era subjulgada por tons cinza e azuis, pelo covil abrasivo, pelo mod rock aposentado. Alí apodreciam ao se chamar de quaisquer nomes, porderiam burlar quaisquer fontes de luz, e aquecer qualquer termostato. Click, e liga se a velha matadoura de monstros. A Televisão alta, evocando pouca conversa, a formalidade pairando em corpos nus, e por fim os ultimos suspiros ao se adormecer com o óbvio.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ashes To Ashes Don't be continued...

"...O meu silêncio oportuno de agora certamente é o mais eloqüente dos discursos. Das cinzas as cinzas vamos lá!


"Estado contra Senhor certeza, décima segunda vara"."




Das cinzas as cinzas. O ambiente nada emocionante e muito conservador do universo acata todas as regras, bloqueia seus dizeres e contatos, cansativo e aposentado. RED. Encontrava se ali, agora na hora da verdade, sem explicações convincentes, sem noticias decentes, e iniciando sua nova fase, seus novos dias, à Decadência aliada a elegância de tempos tardios. O corredor, com um bebedouro simples, de chão branco, mármores, e paredes que mais pareciam feitas de papelão não mostravam nenhuma misericórdia divina, era hora de acertar as contas, de ou pular ou se deixar mofar, nada claro, "nebuloso" como diria seu antigo chefe. Passo a passo rumo ao acerto, batimentos cardíacos nada em conjunto consigo, e nenhuma expectativa razoavelmente boa para se orgulhar. Vestido para o velório, culpado de erros magistrais, irritado com a burrice alheia, irritado com as escolhas divinas, e finalmente preparado para a tormenta.

As portas do inferno estavam abertas, seu nome proclamado, sua santidade jogada ao absurdo, encerando teu ciclo, nada satisfeito. Não mais Senhor dureza, não mais senhor escrivão, não mais senhor designer de óbitos. A dificuldade de fechar as portas e a ansiedade causada pela preparação da mesma juntavam se, aglomeravam se, e seu café pra um, misericordioso de si, absoluto em si, gole a gole terminaria. Apenas seu pó no fundo da xícara, gosto amargo na boca, feito pó. Inevitável caminhar para dentro, "Move on man!", dignidade nessa hora era inalienável. Ombros erguidos, moral razoavelmente baixa, ultimo dialogo, ultimas vistas, e fechamento.

"EM BAIXO DO SOL OU SOBRE MINHAS SEMENTES?"

A câmara, pomposa, cheia de gringos, aroma doce ao ar. Justa posição social dos felizes infelizes kamikazes, "Bakara", sua alcunha agora. Tão bom para todo mundo, o jogo é e parece ser sempre assim. Nada de comida, nada de bebidas, nada de rua, nada de sorte e nada de branco. Sabe se que os Juízes cuspiriam fogo em seu nome, ateariam gozos em seu próximo vexame, e essa era sua única expectativas. Descobrira aí! Durante o Circo armado, que sua posição era de último à saber das tendências de seus comparsas no crime. Era um ledo engano pensar nos rabiscos, nos urubus, no futuro. Sentado no próprio vespeiro. Criado pelos seus próprios erros, e desenvolvido a partir de seu vermelho balbuciar durante o "boa noite".

Mesmo sendo difícil não procurar pela vingança, e a resignação não ser seu perfil, iria aceitar entregar se aos demais cambonas, aos seus ritos, seus rolés pela capital, sua deslealdade e lealdade tardia, e mesmo que se odiasse por isso, gritando com sua própria fama, sorte, ego e maltratando suas possibilidades futuras, entrega se os pontos, "Que se retirem todos de uma vez". Aguardara apenas o pronunciamento das chamas para que ao fechar seus olhos, sua cabeça remontasse a velha história, que os dedos fosse apontados para si mesmo, que pensa se em tudo que deu, e seu sorriso seria como a boca do oceano, "Eu te vejo por ai!".

Não há nada que se possa dizer sobre os proclames, sobre os pedidos de casamentos, sobre as prisões impostas, de modo que, nada deveria ter sido dito ou escrito, de modo que este local é inútil tanto quanto si mesmo. As descrições dos passos seguintes foram censuradas, fortes para os de estômagos gástricos fracos. Última notícia, última postagem aos correios. Épico teria sido, mas não teriam visto o quão, "...,e que se fodam...". Como um velho amigo imaginário cantaria, como um velho pássaro negro tocaria aos teus pés e ouviria que deveria lhe deixar voar. Ridiculamente certo, ridiculamente absurdo, dualicamente metida em cordões umbilicais extra grandes, de modo a se poupar sem poupar seu comparsa. Esse era seu ego, sua lucidez, palidez, e outras bobagens que poderiam ser descritas aqui. Sick, Sick & Sick. Dois anos e alguns dias de muito, e ao mesmo, muita.

As confidências apenas para os bartenders, a história do holocausto queimando em barris de óleo em qualquer esquina junto à todas as paredes pichadas, arte feitas, de maneira que seu único pedido após todo o julgamento fora de fronte, face a face, e de todas as merdas, fodas, e agrupamentos de corpos mutilados que propagou, diria que não é fácil como numa manha de domingo cinzenta. Não há futuro já proclamara os punks em seus saiotes. Não há como ocorrer um novo conde, um mono Monte Cristo.

Estrias, cortes, rasgos, sangue, e enfim a solitária. Desta prisão não existe como fugir, não existe como mentir, ou medir sua extensão. Este é o último relato, o último épico, o último som, e certamente a última dose que eu tenho de eu mesmo. Esqueçam os laboratórios de refino, as drogas e os hits do verão passado.

Café pra um. Fechado.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ashes To Ashes

Aqueles tempos eram sempre ariscos, os pontos sem nós de clima úmido, de pestes de ratos roendo todos e quaisquer restos. Faith no more! As imagens deste ser se profanavam sob qualquer vocalização próxima, e de nada haveria de vale tamanho esforço além de limpar seu nome, aquém de deixa-lo sobreviver em paz. Tanto para você quanto para mim, o sol batia à porta dele, o homem sem nome, o revogado, outrora atendendo pela alcunha de Senhor sabe tudo, senhor vingança, senhor não se meta, hoje dito e feito passado.

Cigarro matinal, leu suas noticias no jornal, café, aceleração, pouca expectativa e rumo ao sul. "Eis me aqui!", diria ele em bons dias, não que o pessimismo tomasse conta de teus dias, não que não buscasse sua reabilitação, apenas sem fé e pobres dos homens de pouca fé, ou não! Após uma lida nada prazerosas sobre seus poucos argumentos de defesa, arremessou o jornal, esboçou sua pequena raiva, e se preparou para o pior. Estava à caminho e vinha como um animal, cheirava como um animal, caminhava como tal. A única incerteza era de qual espécie seria. E estampado em suas primeiras páginas mau diagramadas, "Divisas não pagas, prega-se a moratória". Aquilo foi como ódio aos pulmões, cercado de todos os lados por contas a pagar, por contas a acertar, e cerrar os punhos não valia sequer a pena. Sabe se bem os porques. Bastara um dia de aposentadoria e milhares que o apoiavam e suportavam como endorsers virariam as costas. A faca devidademente guardada, o três oitão acolhido pela poeira dos novos tempos talvez, e somente talvez fossem necessários. Esperava que não, queria que não, e pôs se a um belo banho frio antes de enfrentar as ruas, afinal a caravana não poderia e nem deveria parar.

Vestiu-se de preto, como em um velório granfino. Óculos escuros em dias nublados apenas para manter as olheiras afastadas de quem poderia se interessar, e desceu para apanhar suas coisas, o restante que havia sido lhe entregue em caixas de papelão, sem sequer um bilhete, ou algo do tipo. Pensou alto "Belo reconhecimento hã?!", seu porteiro riu, e acalmou-se mais uma vez, entre tantas que já haveria arremessado a cabeça do infeliz pela entrada do edifício, pensou duas vezes. Aposentado, à isso sim, e talvez não fossem mesmo os dias de voltar-se ao velho sangue suga, ao velho bloodstain, ao velho cigarro reinado em seus olhos. Ponderações e nada mais. Os gritos de fora lembravam teus dias de matança, de rios de ódio brotando aos pulmões, de quando levou sua facada, de quando ficou preso por dias em um hospital sujo, sem sequer visitas conjugais. Belo sujeito, relegado à expectativas postas a prova, e na realidade ele não ligara à isso, a magoa fora corroida há tempos. Um dia não supre uma semana, e esse lema já era velho e sabido, de modo que seguiu, como seguiria agora. Pôs os ombros para trás, esguio, nada de vinganças, nada de não encarar os fatos "filhão", o vermelho dos lábios não seriam de sangue, e tão pouco de omissões mais, iria encarar de peito aberto a multidão louca por seu couro. Pedira ao porteiro infeliz para abrir a gaiola, e como um rato em uma, foi para fora. Vistas, luz e inferno.

A multidão eram só brasas! Eles realmente estavam preparados para o pior, convidaram até seus policiais para assistir o açoite. Aguente, o cheiro, aguente o desgosto de ter abandonado a carreira, aguente o dia nublado com quarenta anfitriões nada saudaveis meu senhor. Sabia que podia optar pela mentira, pela malandragem, pelos socos e pontapés, mas não, aguentou o enxame que se propagou, em poucos minutos já haviam lhe atirado pregos, pedras, ovos, e sessões de cusparadas nada coloquiais e a cada uma, por dentro se odiava, mas ao se limpar, percebera os fatos, os caminhos e o nucleo. O fusca que ainda o aguardara, atipico, não era um frango qualquer, não era alguém que não sabia receber porradas e devolve las ainda de forma pior. Não valia mais o esforço. Abaixou sua cabeça, tapou a boca com a mão de modo a acender seu lapso de momentos felizes em um cigarro, e colocou se a andar, mesmo que isso o fizesse lembrar de orelhas arrancadas, maratonas de trabalho árduo à sociedade, e tudo posto e deposto pela aposentadoria, pelas dores nas costas, e pelas divisas que não estavam claras ao banco. Ódio guardado hoje à elas, instituições financeiras. Seus passos, largos, procurando manter-se são em um universo de paquidermes imbecilóides, entrou no auto, e o piloto rodou. Não se sabia bem, se a cortina de fumaça vinha do carro, ou de fora. Asseava por não ser fogo literal aos pneus. Ande logo, tenho contas a prestar, fontes a secar e muito, mas muito chão para rodar, pensou. Mesmo que a imagem cite e beire o inapropriado, seu biografo saberia que aquilo era auto preservação do que lhe aguardara.

Em seu dialogo consigo, brotaram idéias, percepções, e mea culpas. Sabia que era ele e só ele o causador de tantos absurdos. Sabia que causara por se omitir perante os juízes, e não achar que iria se pendurar tão previamente. Erro, e de erros sempre se tem duas ou doze partes. Sagaz, poupou esforços agressivos, e propôs a si mesmo uma forma certa de se pagar as dividas. De se entregar aos mesmos senhores que lhe obrigavam à matar. E foi o feito. Foi o que já estava certo em fazer. Não iria se omitir, não iria deixar que manchas negras e nuvens turvas abalassem seus novos dias, se a verdade estaria dentro de uma prisão, capitalizaria, venderia o corpo para não ter mais que ouvir ou sentir se acusado por aquele enxame, que provavelmente jamais ouvira verdades na vida, e jamais saberiam delas. Nem todos tem colhões para um face a face, normalmente se corre dele, e noticiários, digitais, físicos sempre são cômodos. Colocou se a caminho de sua nova maratona, como garoto de aluguel, como garoto de recados, já sabia o que fazer. Nenhum tiro mais, e nenhum juiz mais teria como lhe propor isso.

As mãos tremulas, e o abdomêm ainda cortado, criavam mais desconforto do que encarar os fatos, e revoluciona los. Transpor à quem não é de César, o que é de César, sistema judiciário de merda. Os rabiscos em seu corpo quase que se soltavam, via os erros em cada pedaço de seu corpo, do paletó ao cabelo, de sua barba às frases que ele gostaria que ouvissem, e mesmo assim, mesmo transpondo sua raiva das mãos para o cérebro, conteve se. Isso acaretaria muito mais do que vingança, e não era ela que ele procurava, não queria encontra la na marra. Até mesmo os litros de café lhe diziam o mesmo, as memorias e os serviços, bom isso cabia a ele saber que tinham sido bons, eficientes, e árduos, prazeirosamente árduos, Senhor guarda costas!

O dia, e o caminho sinuoso até o tribunal se misturavam em odores, fumaça, gritos na multidão, nada pop, nada mod, nada funk. Apenas palidez reversa, e suas gloriosas lembranças. Se teria de haver um abate, que houvesse então. Não era homem de se ocultar, de se poupar de rasgos, e mesmo aos que lhe propunham serviços pardos, mesmo esses desaparecidos, tinham seus grandiosos feitos, e não haveria de negar. Mesmo na tortura que estavam provocando ao se colidirem com suas proprias palavras. Senhor destino não mais, as armas estão guardadas, so a face a bater, a minha face. Pequenas vitórias vem aos tempos, e a abrupta vontade de se referir se à elas com mais tempo, não era mais encorajada. Não tinha tempo, apenas um aviso, apenas dores nas costas, apenas dias esquecidos e não validados, como este mesmo argumento jamais será por eles. Desceu de seu glorioso fusca, em uma calçada destinada à portadores de necessidades especiais. "O caralho, são e continuarão a ser alejados" pensou, e como de praxe foi abordado por isso.

- Ei! Senhor! Não vê a placa? _ gritou o segurança.

- Vejo, bem distinta não?

- E não sabe ler então? Tire esse carro daí por favor _ Quanta educação de um servidor público, incompetente quase sempre, rancoroso quase sempre, e normalmente nada educado com os populares. Nunca subestime o poder de um terno!

- Sei sim, mande guinchar. _ Caminhei como um junkie, trôpego, ansioso, cheio de vitamina B para queimar às portas de um grande funeral. Crianças deveriam cantar mais, e notoriamente "Be Aggressive" seria um bom tema.

O sabor do vento corria em meus dentes, tão claro quanto o ar absurdo de nunca querer poupar esforços. Os dons, e as praticas, juntos. Aguardando à hora do julgamento que já começara, terminar. Não iria se omitir, não iria se poupar, e provavelmente apenas cumprir a pena atribuída. Ser preso nos dá tempo para pensar em o que estamos errados, é um bom meio de pensar em liberdade futura. Já escapei de tormentas fortes, que não me pegaram tanto quanto quando se está aposentado. Reduzir toda essa atmosfera ao que convém não é uma escolha muito sábia. O cronometro anseia pelo meu nome dito em alto em bom som no tribunal. O meu silêncio oportuno de agora certamente é o mais eloqüente dos discursos. Das cinzas as cinzas vamos lá!


"Estado contra Senhor certeza, décima segunda vara".