terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Shelter From The Storm...
A guitarra soa junto ao piano como uma harmonia duradoura, e sua mãe devolve todos os convites. Tentando provar que suas conclusões podem ser mais drásticas, e a pergunta de que porque não vem me ver Rainha Jane respinga ao ar. Todos os dons artísticos jogados ao lixo como um cowboy otário, relegado ao poder financeiro e ao descaso. Onde os pecados caberiam como uma luva, e as provocações sempre são escondidas. Não dança, não passeia pela área, apenas acende o pavio de meu foguete. Pergunto que era uma vez no tempo onde eu me vestia melhor, e você poderia também. Todos seguravam as pontas, falavam alto, e gemiam com o gozo, tal qual a obsessão é necessária. O estúpido e o dramático, invertendo-se os papeis, buscando uma fuga do Papillon. E como fugir de si mesmo? Como aguardar o trem de pé. Abrir os olhos e se perguntar. Como você se sente? Quando não está em casa, fora de caminho, completamente desconhecido? Cigarros acendem-se todos ao mesmo tempo, e todas as poesias fazem certo sentido, tão doloridas quanto acalentadoras. E o absurdo, sou eu? Ou você?
O vômito cai como um corpo ao chão, inundando os passos diários, ganhando o nada a perder como uma prática fatalista mais real, de modo que as direções, sinuosas ou não, estão como um samurai sem honra. Um de nós deve saber. Tem de saber, e esse nunca fui eu. Como o texto não sou eu, como a vida não sou eu. Como a fuga não sou eu, e todos os objetos covardes arremessados são como espasmos musculares, o fazem rir, chorar, cantar, e gritar. Deus nunca soube mesmo o que me vale, tanto quanto eu não sei o peso volumétrico de sua alma. Ser relegado ao absurdo tem sido a maioria dos votos, e isso parece ter virado sua grande regra geral. Todos os guias, caboclos e cavalos se perguntam o por que. Dirigem seus carros, motos, carruagens de fogo, falando com seus poucos amigos invisíveis, ouvindo canções invencíveis, sem termos nem um pouco de neve para esfriar o clima, congelar as feridas, e conseguir ter o seu “ad infinitum”.
Trapaças, personagens, tudo uma grande bobagem. Recuso o saxofone como trilha, recuso que o sol queime a pele como ele insiste em fazer. Beber, viajar, e rumar ao futuro pessoal construído a dois. Sem que se tenha interferências de quartos ou quintos, sem que se culpe os próprios geradores de vida, sem que seja bom ou ruim. Dentro de Kimonos, calças justas, dentro de um espírito que vaga pelo mundo, caminha quilômetros em busca da métrica, em buscas de um justo comentário e uma boa recepção. Não se trata de voltar ao passado, ou retomar o que já se foi. Trata-se de fé, de consideração, de não estar preso dentro de um automóvel com um blues de Memphis rolando. Tão pouco se trata de vingança. Mas de entender o espírito que roga por paz. Sejam os porres e as garrafas pela metade, os ritímos que a letra "B" simboliza.
Não, "B", não somos tão diferentes, contudo machucamos cães e gatos, galinhas e porcos de maneiras opostas.
De maneiras a se dizer adeus à maneiras onde ele não deve se quer ser anunciado. Se a ver dia oi, e deixe que ande, se não a ver as coisas andaram lentas, embora se acostume. A Guatemala é um lugar seguro para se correr, e o outside, já fora proclamado. O não ser encontrado, não voltar a se aprisionar, e tentar esquecer talvez seja uma maneira descente de terminar a vida.
Sentir o sopro do vento na nuca, e conquistar uma cabana na Amazônia, África, ou qualquer ilha polinésia. Estamos de mudança, e sempre são para longe. Onde nenhum grupo de resgate possa chegar, onde insinuações serão apenas as de macacos, e jamais alguém se magoaria novamente. Não existem pecados em grandes espaços, não existe ser humano em grandes espaços, não se precisa de fé, e então ela não te faltará. Apenas caminhadas duras, construções simples, e nenhum planejamento que não possa ser comprido. Ser humano fede, e mesmo que se perfume ainda não saberá reconhecer-se por si mesmo. Macacos apenas grudam em suas costas, e também fornecem muita proteína.
Viajarei então, onde as palmeiras flamejem com os raios, onde não tenha absolutamente nada alem de sombras e silêncios, eles sim serão respeitados, de modo que nem eu mesmo respeite. Estarei em um acampamento qualquer, tirando apenas o que me é de direito, o que minhas mãos podem alcançar, sem ter complexas visões de mundo, sem que o demônio tome meu corpo novamente e a faça chorar, nem que os anjos iluminem meus dias para a fazer se alegrar. Onde todas as noites sejam de fato dormidas, e a morte apenas recaia como uma benção pelo seu tempo. Anos prestados à complexa lingua de sinais, anos prestados ao sabor do vento, de modo que todos eles são absolutamente idiotas, não se admira o uso de tantos entorpecentes. Adeus, goodbye yellow Brick Road. Armas ao chão, cavalos à postos mortos, e um campo de batalha semi-árido onde o sangue empreguina as faixas dos dois discos.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Slow Cheetah
Durante o período em que estive preso, vigiei a rotina, os hábitos dos carcereiros, e estudei meticulosamente formas de escapar, meu filho ainda não nascera tão pouco saberia se nasceria, mas tinha de estar lá. Mesmo que a caminhada contasse com o cio da chuva, em meus pulmões se enchessem de ar purulento. Eu teria de escapar e isso estará claro como a pele dela. A bandeira tremulava, e mesmo sem janelas na cela sentia todo o clima que me aguardara. Dias de chuvas tinha um aroma característico de terra molhada, já os de calor, mesmo sob a ventilação se suava como um porco, e era ali minha única forma de escapar. Fugir pelo foro de gesso. Pobres diabos colocaram o gesso. De todos os materiais da construção civil, talvez seja um dos menos sólidos. Sem câmeras de vigilância, seria muito mais fácil subir ao telhado, que cavar um túnel. Ainda mais com o numero de infelizes dedo duros que estavam por lá.
Entendi então que deveria ter um tumulto, deveriam existir farpas, e muito sangue jorrando para que eu estourasse o forro, me enfiasse em meio à tubulação e água, luz e ar, e procurasse meu destino. Em todo o trajeto apenas o balbuciar dos lábios vermelhos dela me motivavam ao encontro, seja com Deus ou com o Diabo. Muitas coisas deveriam ser explicadas, mas ela fugiu, e eu tinha o dever de saber o porquê. Tentei alcança-la na prisão, e nunca me atendera. Dizia que mandaria cartas, esperei dias, horas, minutos, e nada. Perdi a fé, e a única coisa que me motiva durante os tempos de exílio forçado, foram os pensamentos de como sair daquela prisão, de como escapar e então, ter o gosto da verdade na face, ou seguir rumo à Guatemala, me entocar no meio do mato. Isso ainda não estava claro para mim. Claro era que nunca fora tão importante sair de uma prisão como eram naqueles dias.
Exatamente às 13 e 39 horas me aconcheguei perto da parede oposta às grades, escolhi o individuo mais forte para servir de boi de piranha, pelas costas o empurrei em meio aos demais gritando "Viado!", o sangue do chucho feito dias antes, e enfiado em sua nuca jorrava e claramente os outros detentos se irritaram com o infeliz que se jogara neles. Foi o inferno na cela. Sem saber uma linguagem universal de combate, todos eles começaram a se agitar, se insultar, e por fim se matar. Sorriso nos lábios babe estou indo a você!
Aproveitei as costas na parede para socar o teto, enquanto os carcereiros chamavam outros, e tinham medo de adentrar naquele recinto fétido, eu busquei meu espaço. Abri um buraco suficiente para poder me enfiar. Subi com a destreza de um macaco, e procurei uma rota. Grande erro. Tudo muito escuro, e sólido. Tentei subir mais um pouco e nada. Sólidos como tijolos são. Bom teria de ter um outro plano, menos elabora, menos esperto, muito mais sujo, muito mais grosseiro. Olhei pelo buraco que subi, e vi o Caos. Os carcereiros resolveram entrar. Grande erro.
Os dois primeiros entraram e foram surrados pelos infelizes ali de dentro. O pavilhão gritava, ecoava horror, não demorou aos cinco carcereiros serem subjugados, tanto quanto para mim descer, pegar e ultrapassar as barreiras daqueles detentos sanguinários. Tinha de esperar o momento certo de abrir as portas do meu universo sangrento. O coração pulsava, o ar me faltava, e a lembrança dela se pintava. No pavilhão o fogo já começava, outros presos foram soltos pelas chaves de seus próprios carcereiros. Animais. Meus animais de pelúcia.
Quando a tropa chegou a porta alguns policiais já estavam em fronte. Já agitavam suas armas, e combinavam suas táticas. Abri espaço e disse para abrirem ou mais gente morreria ali. Um misto de medo e falta de dialogo surgiu. Teriam de abrir, e eu teria de ser convincente para abrirem. Peguei em minhas mãos o carcereiro mais jovem, e cortei seu pescoço. Agora vocês vão abrir, ou todo mundo e quem entrar aqui ira pelo mesmo caminho. Os poucos imbeceis abriram, deram-me a liberdade. Quanta gratidão. Ao liberar um pavilhão de cem sobre três, vocês podem imaginar que não foi bonito. Animais armados não só com dentes sempre é perigoso.
Procurei o caminho oposto de todos aqueles idiotas, vesti uma farda, e fui para o outro lado, menos tumulto, mais liberdade de ação. Dava para se ouvir os gritos, tanto de desespero, quanto de raiva. Fui ate a cozinha, o pobre soldado que estava de guarda não viu um detento, apenas mais um companheiro fugindo do mutirão do capeta. Matei, e furtei sua arma. O clima começara a ficar seco demais. Peguei um bujão de gás, e ele se libertando, atirei o em cima da grade, passos para trás, e um belo tiro seguido pelo seu fogo de artifício. Por sorte, e sim temos que a ter nas mãos, alguns soldados vinha por aquele caminho, mais um passo e eu estaria livre, graças aos corpos em chamas. Me aproveitei do descuido e do medo, e corri gritando alertas aos demais. Ao chegar na porta, quatro guardas me encaminharam para a ambulância. Não fiz esforço para o contrario, entrei, aceitei os cuidados nas feridas superficiais dos para-médicos, e tranquilamente me levaram ao hospital de Urgências. Agora seria bem mais tranqüila minha viagem. Menos tiros, e apenas uma linha de ônibus ate chegar em algum esconderijo. Meu casamento com a prisão acabara, e agora poderia alcançar os objetivos, bastava o tempo para saber se iria novamente ir de encontro aos lábios vermelhos e pouco sabia o que poderia acontecer, ou se me embrenhava durante o Maximo tempo possível no mato. Como sempre ando dizendo, "O casamento é a única prisão que se é solto por mau comportamento.", gosto do ditado. Gosto de sentir a realidade dos fatos, e meus passos agora seriam não para o bom, tão pouco para o mau. A ignorância é mesmo uma dádiva.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Fodido!
que não apertasse a garganta enquanto eu falo.
E guardaria meu pranto nas veias,
mas eu não ligo se essa é a maneira de sangrar.
Eu nunca poderia mudar
Como eu me sinto
E meu rosto nunca deixaria de mostrar
O que não é real
.
A vida não deveria mudar a maneira de se mostrar,
Como eu sinto, como poderei sentir, como deveria ter plantado.
E eu não ligo se todos os pedaços de mim,
Hoje estão tatuados feitos às lembranças que tenho de você
Eu poderia ter mentido, mas como fui idiota,
Nunca, nunca, vou deixar meus olhos dormirem tranqüilos,
E, de novo,
Mostrei-me a você e te disse como,
Mas agora, como sempre acabei fodido.
Olhos nos olhos, e eu não sei como você vê,
Se as coisas que te disse soaram feito verdade.
Jamais, e jamais, eu poderei saber.
Se for um tempo para o seu pecado, que eu não tenho para oferecer.
Eu nunca poderia mudar,
Como eu me sinto.
E meu rosto nunca deixaria de mostrar
O que não é real
Deveria existir alguma maneira de sentir,
Que não sabotasse minha boca enquanto eu falo.
E alguma maneira de ouvir,
As coisas que vivi sempre sem dar a outra face.
Eu poderia ter mentido, mas como fui idiota,
Nunca, nunca, vou deixar meus olhos dormirem tranqüilos,
E, de novo,
Mostrei-me a você e te disse como,
Mas agora, como sempre acabei fodido.
sábado, 27 de novembro de 2010
O simples sabor do vento.
caminhei por mim mesmo e disse que jamais deixaria para trás,
as lágrimas que descrevem o simples sabor do vento.
Eu caminhei pelas ruas,
Com o sabor do fogo nos pulmões para aquecer seu espírito,
e somente a luz do ultimo cigarro cegou os olhos do simples sabor do vento.
Podia ver alguém em qualquer lugar,
transformar o pálacio em um ultimo atraso, e caber dentro de mim uma ultima gota,
Como um paraíso em meio a poeira, somente mais um pequeno sabor do vento.
Não saber o que sentir, não é um pecado,
Eu me perdi na chuva, e ela nasceu em Dezembro,
captei o som dos pássaros, e o passado se anunciou como um pequeno sabor do vento.
Alguém poderia ter estendido a mão à mim,
Mas nem mesmo Deus me deu um presente, tirou me como um tiro a vida.
Entre todo o sangue descrito nas faixas,
apresentou-se o ultimo suspiro do vento.
Eles me falaram de um pecado,
me prenderam como culpado, e mais uma vez as cordas soprariam contra mim.
Nem os ossos, nem os abraços, apenas assisti ao simples sabor do vento.
Estiveram confusos e eu,
apenas como um tolo caminhei com o simples sabor do vento.
Era bom, e ela estava lá,
mas não à vi quando o atraso proclamou sua ultima gota
tanto quanto eu, tanto quanto o rim doente ou a poeira que se enxagua nos meus sapatos
eu a perdi na chuva, como um simples sabor do vento.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Baile Funk

Andar na Pedra
Escuro, completamente isolado. Fim de papo. As gotas da chuva noturna recaiam sobre seus ombros como somente o peso do universo conspirando contra seu favor, de modo que o Diabo sorri, o inferno corre em suas veias e o domínio noturno que outrora tentara surrupiar suas gotas de vida pelas entranhas começara a visar um novo foco. Dez dias, dez noites sem dormir. Olhos negros, olhos negros, hoje para trás, apenas as doze narinas abertas, assim como os doze apóstolos de olhos vendados para fé. Desgraça, sangue, tambores arriando um noivo morto. Pés descalços.
Andara sempre sem chinelos, e a tinha o peito do pé amarelo. A sola grossa feito pneu, corria sempre muito mais que eu. Demônio sem asas, esse era o seu corpo, essa sua fonte de vida. Nem mesmo um toco grande, grosso, acalmaria os suspiros, o fogo gritando à plenos pulmões, o desabafo. O grito, o instinto. Como um animal estripando sua carniça. Café, Dylan e cigarros estraçalhados como também o espírito que vagava sozinho pela terra. É caro, o horror chegou, e quão forte ele seria? Valentia, tiros, e esporros, como o escarro tirado de encruzilhadas. João voltou. Trazendo com ele todos os seus próprios pesadelos. Risonho não?
Caim matara Abel em teus desejos. Rasgando como uma bala em seu próprio peito. Como um Urubu, feito o começo do fim. Olhos verdes que verdejavam o balbuciar do vermelho nos lábios dela, destronavam reis de seus castelos. Assoviavam com os rins sob os dentes aos cães do inferno. Nicotina, THC, entre tantos ossos vazios, cheirar as cinzas de alguém hoje é uma homenagem.
Baile Funk.
"João Gilberto, ."
Caminho entre as encruzilhadas, trabalhando para comer, comendo para não morrer, cada esquina morto por dentro. Dentre tantas saias, pernas, bocetas e rabos. A porta agora sempre aberta para o povo. É a Casca do cerrado. Chegaram os mortos de fome. Sujeira em toda parte para sujar seu nome.
Acelero entre sonhos, sono, e angustia. Tão forte quanto qualquer soco no estômago, onde a marginalia mostra todos os dentes. Você que nunca caiu entre sarjetas sujas de fome, onde os nomes são só nomes e os obrigados lhe condenam ao fogo do inferno. Você que nunca quebrou o nariz em uma briga, nuca ou pescoço em meio à assaltos, condene a si mesmo. Curta teus bons momentos de confusão, mas não deixe mais rastro. Com um cigarro em brasas em cada braço, riscado e rabiscado, não existe mais motivos para não adentrar. A casa anda cheia, as expectativas andam baixas, em poucos passos já caminhei por muito, já vivi muito, e certamente já comi muito.
A casa noturna completamente aberta a mim, poles, garotas, certamente esqueléticas Somalis e Etíopes enpinando as bundas. Lembrara-me de quando ela me viu, de tanto que eu me esforcei. Bobagens. Somente bobagens e à elas eu devo respeito. De todas as narrativas e pensamentos obscuros, de modo que a confusão austera de meus olhos anda passo a passo com a sujeira. Difícil não se vincular à isso. O rei deposto, e todos seus acessores mortos, tendo em vista o grão de areia solto em sua roupa de baixo. A postos cavalheiros, todas elas agora estão semi nuas, todos eles rijos como haste, todo diabo canta vitória. Sabedouro do universo não serei eu mais a lhe explanar, clarear, ou cacarejar. Deixo essa missão às galinhas e suas revoluções dos bicos, deixam as doses de uísque barato denegrir meu corpo, e talvez um bom banho abduzir meus últimos desejos. Sentava em um banco no asfalto, esperando uma ultima buzina clamar meu nome. A libertação não mais em uma sessão de descarrego, e sua leitura não mais iluminada pelo desespero. Despeito, cansaço, e ovos virados. Tal qual a confusão dos corpos dançando no baile funk, a cabeça confunde todos os tópicos, não tente crer, não tente esquecer, não caminhe sob o sol. Diria eu no passado: "Embaixo do sol sobre minhas sementes.", hoje a chuva de prata, afogara todos, e nem mesmo a mais sólida semente pôs se a prova.
Ela sorriu, de tanto que me esforcei. Ela me viu, quanto eu me quis ver. E nada mais caminha passo a passo com o destino. A porta hoje da casa sempre aberta pro povo.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Vulture
Brisa fina é uma glória para os que caminham no calor do centro da cidade, entre mulheres fáceis, desgostosos idosos comprando seus medicamentos indolores, e uma camada que se posta apenas a observar de apartamentos antigos e altos, firmes e rijos, tijolos por tijolos a vista será apenas mais um comprometimento de suas almas. Vulture, Albatroz, ou qualquer carniceiro que viva dentro de você. Viva e deixe viver, ou adote um ego ambulante e suje um pouco as mãos de graxa. Aqui e ali ambos ficaremos imóveis, completamente mutáveis em prol de certos centos de trocados, não é delicioso ouvir o som das ruas, como o ruir duvidoso da coleta seletiva de lixo? Sim, todos estariam em uma "variedade" especifica do mesmo, contudo vibremos e vislumbremos a história de nossas vidas, momentos antes de morrer, e chamaremos isso de glória, a isso daremos o carinhoso apelido de beijo luxuoso no lixo.
Bebo todo santo dia cerca de oitos copos de uísque, e não me importa se é caro ou barato, na maioria das vezes depois do primeiro copo nem sinto mais o gosto mesmo. Difícil, diria eu, seria encarar todos os dias com o mesmo sorriso no rosto, falso, daqueles que apenas se tem por costume, ou por boa aparência. Foda-se, não acredito mais nisso. Mas veja bem, já fui como você, e você já será como eu. Não há culpa na salvação, assim como não existe pecado nos trópicos. Quente como o inferno, divertido como o mesmo deve ser! Absurdo talvez, mas quem se importa. Enfim, irei eu contar algumas histórias, e no mesmo período outras acometeram tuas entranhas, como se levasse seu "broto" ao cinema com a intenção de lhe apalpar os seios e em absoluta magnificência divina conseguiria uma noite divertida. Mesmo que sua parceira seja cega surda e manca. Engraçado a ironia da vida.
Meu nome não se diz, tão pouco os anos que faço, minhas rugas dizem mais de mim que eu mesmo poderia enumerar, contudo veja bem querido, não sou durão, apenas faço o que tem que se fazer. Imagine passar uma vida fugindo de seu próprio rosto, e acredite ao final das controvérsias, mesmo que obscuramente você o faz. Trabalho, digamos que com frellas, ou seja, muito trampo com as mãos, pouca gratidão, e quase nenhum "louro" romano por seus feitos. Mas nem só de trabalho vive o homem, tenho minha garota, o difícil é nomeá-la, com seu um metro e sessenta e oito de puro tesão feminino, mas veja bem, não é fácil nomear o que a cada casa muda seus proclames. Além disso, não seria um problema se existisse mesmo um deus, ou se ele não atendesse pelo meu nome em certos momentos.
Meus pulmões já estão comprometidos comigo mesmo, disse eu ao doutor, quando o mesmo mandou-me à um auxilio psiquiátrico, na tentativa frustrada de me fazer parar de fumar. Inútil, mas quase todos o são. Como o cego desdentado que absurdamente toca sanfona no sinal, pedindo moedas e encobrindo seus dotes de grande comerciante de material ilegal, oficio esse que ao que consta aprendeu de
Violento não? Não, a vida imita os quadrinhos do Miller, ou seriam eles que imitariam a sua vida? Serão alguns dias de memórias, alguns dias de danos mentais reparáveis com benzo-diazepínicos. Aguarde!
domingo, 27 de setembro de 2009
Entrelace (Parte I)

Joelhos postos ao chão, olhar ávido de fogo, pulmões corroídos pelo monóxido, rostos suados contrapostos aos assustados. Os fracos sempre têm vez, de modo que burro é aquele que fica para ultima bala. Esse burro parece ter sido eu. Sinergia, anfetaminas, cafeína e nicotina me trazem talvez uma alternativa, o caminhão livre que roubarei à esquina, as pernas da madre, e tão composto é a densidade da pistola. Cano quente e fumegante. A lembrança de seu beijo no pescoço entre todos os antigos macetes não me permitia ao erro. Três corpos no chão sem cabeças, dois anteriores de tom completamente arroxeado e uma vaga lembrança do que fora meu dia. Dos olhares ardentes dela, mistos de euforia e medo, ao brilho efervescente instalado na minha cabeça dizendo certeiramente que sangue rolou, e rolaria mais.
Naquela tarde, pouca coisa indicaria o banho de sangue, lidava eu com mais uma rotina desalmada dos corpos que caminham sem alma, lidava eu com mais um dia de ignorância afirmativa, com paradoxos corporais, mentalidade incompatível e uma boa dose de lixo. Absoluto gosto de café na boca e uma ofuscada idéia do que é o sono de uma noite anterior bem destilada. A alforria do homem não está em quanto dinheiro ganha, mas no quão se esforça para adquiri-lo, de modo que, corpos nus normalmente são mais coesos que qualquer formulação teórica. O brilho intenso da luz arremetida à vidraçaria do boteco, onde porcos como eu caminham livres procurando alimento, destroçava a retina, de modo que nem mesmo a figura mais tênue de nossas trepadas caberia em minha visão mental. O V-8 me esperando, o colarinho cuidadosamente ajeitado, e aquelas palavras surgindo entre os timbres da minha cabeça. “Fale exatamente tudo o que achar que deve, mas não espere gratidão de algum possível rosto feminino”.
Ao sair do botequim, apenas mais uma velha conhecida imagem das ruas remetia à algo como Beirute pós guerra, ou Bagdad entre traques juvenis. Gente feia, mal acostumada com o termo humanidade. Entre o calor infernal propicio para o acasalamento de baratas. De tal modo que nem mesmo se aqueles corpos estivessem nus chamariam à atenção sexual de um maníaco. Talvez um carniceiro, não qualquer predador, e bastam alguns passos até a esquina pra comprovar o mau gosto destilado em suor, mau cheiro, e completa falta de classe mesmo com a imundice. Raras são as espécies aptas a compreender o que é a beleza nesses dias. Ao menos onde me ocupo existe isso por vezes.
Passos lentos, métrica pouca, e só, somente Graça nos dias de hoje valeriam mais do que uns trocados. Personificação da santa. Enfim, santas não dormem com mulheres, enchem o rabo de álcool, acabam por se marcar mais do que um escravo, e são tão sexys quanto o Demônio as fariam ser, conceberia assim se nesse plano estivesse, entretanto, só uma santa doaria prazer a corpos infectados pelo ódio, preguiça, avareza, luxuria ou gula. Mesmo que com uma quantidade absurda de dinheiro envolvida, somente uma santa dormiria com um gordo, não só apenas por dinheiro, mas por caridade. Graça era a minha mulher, meu tipo de mulher. Com o cheiro que os anjos devem ter, entre a boca que as meretrizes absolutamente ocupam, e o gosto que o diabo prova após um dia de trabalho.
Fazíamos todos parte do ramo de entretenimento, no qual, e somente no qual o grito é uma formula barata de prazer, o beijo do lixo no luxo, ou do luxo no lixo, nunca soube classificar bem, de maneira que pouco importa. As linhas circulares de seu corpo sempre me faziam perder a cabeça. De modo que nem mesmo sei como e porque a visão de suas cobras tatuadas me renderia mais que um malandro qualquer armado conseguiria. Uma visão nesse mar de almas sôfregas.
Acendi meu cigarro e caminhei ate o ponto onde aguardara meu veiculo, é absurdo como pessoas ainda pedem cigarros e tendem a te recriminar por mandá-las procurar um emprego. O mais absurdo é saber bem qual o tipo que lhe empunhasse tal pergunta. Sempre os mesmos de cabelos negros ou tingidos. Semi-sujos, com um vocabulário torpe, que nem a frangos metem medo. Aproxima-se lentamente, de modo que você percebe bem a sujeira entre seus dedos, a gordura na face, a pele queimada pelo sol e frio, e nem por isso são mendigos. Um mendigo teria mais classe. Os passos desses mortos vivos se traduzem em desespero, os olhos em aflição, arregalados como não mais o de uma fuinha esfomeada. Se a fome dói não é culpa minha. Desses tipos a única vantagem que se pode ter, são as drogas. Fácil acesso e baixa qualidade. Entre o que se pode chamar de alma nesse tipo, seria apenas a conjectura de um paspalho, enfim atrasado é que eu não iria chegar.
Abraçado pelos tentáculos do Diabo, seguiria eu à mais um aglomerado de sons, sirenes, estampidos e rojões, com sorte ao final do dia seria abençoado por cafetões e piranhas ate chegar ao clube, e por fim, trairia mais uma vez a verdade absoluta de padres ao ameaçar a vida de alguém com uma navalha. Enfim, são momentos como esses que fazem de você um sujeito de sorte.