quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Fodido!

Deveria existir alguma maneira de sentir,
que não apertasse a garganta enquanto eu falo.
E guardaria meu pranto nas veias,
mas eu não ligo se essa é a maneira de sangrar.

Eu nunca poderia mudar
Como eu me sinto
E meu rosto nunca deixaria de mostrar
O que não é real
.
A vida não deveria mudar a maneira de se mostrar,
Como eu sinto, como poderei sentir, como deveria ter plantado.
E eu não ligo se todos os pedaços de mim,
Hoje estão tatuados feitos às lembranças que tenho de você

Eu poderia ter mentido, mas como fui idiota,
Nunca, nunca, vou deixar meus olhos dormirem tranqüilos,
E, de novo,
Mostrei-me a você e te disse como,
Mas agora, como sempre acabei fodido.


Olhos nos olhos, e eu não sei como você vê,
Se as coisas que te disse soaram feito verdade.
Jamais, e jamais, eu poderei saber.
Se for um tempo para o seu pecado, que eu não tenho para oferecer.

Eu nunca poderia mudar,
Como eu me sinto.
E meu rosto nunca deixaria de mostrar
O que não é real

Deveria existir alguma maneira de sentir,
Que não sabotasse minha boca enquanto eu falo.
E alguma maneira de ouvir,
As coisas que vivi sempre sem dar a outra face.

Eu poderia ter mentido, mas como fui idiota,
Nunca, nunca, vou deixar meus olhos dormirem tranqüilos,
E, de novo,
Mostrei-me a você e te disse como,
Mas agora, como sempre acabei fodido.

sábado, 27 de novembro de 2010

O simples sabor do vento.

Eu vejo céu e vi a lua,
caminhei por mim mesmo e disse que jamais deixaria para trás,
as lágrimas que descrevem o simples sabor do vento.

Eu caminhei pelas ruas,
Com o sabor do fogo nos pulmões para aquecer seu espírito,
e somente a luz do ultimo cigarro cegou os olhos do simples sabor do vento.

Podia ver alguém em qualquer lugar,
transformar o pálacio em um ultimo atraso, e caber dentro de mim uma ultima gota,
Como um paraíso em meio a poeira, somente mais um pequeno sabor do vento.

Não saber o que sentir, não é um pecado,
Eu me perdi na chuva, e ela nasceu em Dezembro,
captei o som dos pássaros, e o passado se anunciou como um pequeno sabor do vento.

Alguém poderia ter estendido a mão à mim,
Mas nem mesmo Deus me deu um presente, tirou me como um tiro a vida.
Entre todo o sangue descrito nas faixas,
apresentou-se o ultimo suspiro do vento.

Eles me falaram de um pecado,
me prenderam como culpado, e mais uma vez as cordas soprariam contra mim.

Nem os ossos, nem os abraços, apenas assisti ao simples sabor do vento.
Estiveram confusos e eu,
apenas como um tolo caminhei com o simples sabor do vento.

Era bom, e ela estava lá,
mas não à vi quando o atraso proclamou sua ultima gota
tanto quanto eu, tanto quanto o rim doente ou a poeira que se enxagua nos meus sapatos
eu a perdi na chuva, como um simples sabor do vento.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Baile Funk






Andar na Pedra

Escuro, completamente isolado. Fim de papo. As gotas da chuva noturna recaiam sobre seus ombros como somente o peso do universo conspirando contra seu favor, de modo que o Diabo sorri, o inferno corre em suas veias e o domínio noturno que outrora tentara surrupiar suas gotas de vida pelas entranhas começara a visar um novo foco. Dez dias, dez noites sem dormir. Olhos negros, olhos negros, hoje para trás, apenas as doze narinas abertas, assim como os doze apóstolos de olhos vendados para fé. Desgraça, sangue, tambores arriando um noivo morto. Pés descalços.

Andara sempre sem chinelos, e a tinha o peito do pé amarelo. A sola grossa feito pneu, corria sempre muito mais que eu. Demônio sem asas, esse era o seu corpo, essa sua fonte de vida. Nem mesmo um toco grande, grosso, acalmaria os suspiros, o fogo gritando à plenos pulmões, o desabafo. O grito, o instinto. Como um animal estripando sua carniça. Café, Dylan e cigarros estraçalhados como também o espírito que vagava sozinho pela terra. É caro, o horror chegou, e quão forte ele seria? Valentia, tiros, e esporros, como o escarro tirado de encruzilhadas. João voltou. Trazendo com ele todos os seus próprios pesadelos. Risonho não?

Caim matara Abel em teus desejos. Rasgando como uma bala em seu próprio peito. Como um Urubu, feito o começo do fim. Olhos verdes que verdejavam o balbuciar do vermelho nos lábios dela, destronavam reis de seus castelos. Assoviavam com os rins sob os dentes aos cães do inferno. Nicotina, THC, entre tantos ossos vazios, cheirar as cinzas de alguém hoje é uma homenagem.

Baile Funk.


"João Gilberto, ."

Caminho entre as encruzilhadas, trabalhando para comer, comendo para não morrer, cada esquina morto por dentro. Dentre tantas saias, pernas, bocetas e rabos. A porta agora sempre aberta para o povo. É a Casca do cerrado. Chegaram os mortos de fome. Sujeira em toda parte para sujar seu nome.

Acelero entre sonhos, sono, e angustia. Tão forte quanto qualquer soco no estômago, onde a marginalia mostra todos os dentes. Você que nunca caiu entre sarjetas sujas de fome, onde os nomes são só nomes e os obrigados lhe condenam ao fogo do inferno. Você que nunca quebrou o nariz em uma briga, nuca ou pescoço em meio à assaltos, condene a si mesmo. Curta teus bons momentos de confusão, mas não deixe mais rastro. Com um cigarro em brasas em cada braço, riscado e rabiscado, não existe mais motivos para não adentrar. A casa anda cheia, as expectativas andam baixas, em poucos passos já caminhei por muito, já vivi muito, e certamente já comi muito.

A casa noturna completamente aberta a mim, poles, garotas, certamente esqueléticas Somalis e Etíopes enpinando as bundas. Lembrara-me de quando ela me viu, de tanto que eu me esforcei. Bobagens. Somente bobagens e à elas eu devo respeito. De todas as narrativas e pensamentos obscuros, de modo que a confusão austera de meus olhos anda passo a passo com a sujeira. Difícil não se vincular à isso. O rei deposto, e todos seus acessores mortos, tendo em vista o grão de areia solto em sua roupa de baixo. A postos cavalheiros, todas elas agora estão semi nuas, todos eles rijos como haste, todo diabo canta vitória. Sabedouro do universo não serei eu mais a lhe explanar, clarear, ou cacarejar. Deixo essa missão às galinhas e suas revoluções dos bicos, deixam as doses de uísque barato denegrir meu corpo, e talvez um bom banho abduzir meus últimos desejos. Sentava em um banco no asfalto, esperando uma ultima buzina clamar meu nome. A libertação não mais em uma sessão de descarrego, e sua leitura não mais iluminada pelo desespero. Despeito, cansaço, e ovos virados. Tal qual a confusão dos corpos dançando no baile funk, a cabeça confunde todos os tópicos, não tente crer, não tente esquecer, não caminhe sob o sol. Diria eu no passado: "Embaixo do sol sobre minhas sementes.", hoje a chuva de prata, afogara todos, e nem mesmo a mais sólida semente pôs se a prova.

Ela sorriu, de tanto que me esforcei. Ela me viu, quanto eu me quis ver. E nada mais caminha passo a passo com o destino. A porta hoje da casa sempre aberta pro povo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Vulture


Brisa fina é uma glória para os que caminham no calor do centro da cidade, entre mulheres fáceis, desgostosos idosos comprando seus medicamentos indolores, e uma camada que se posta apenas a observar de apartamentos antigos e altos, firmes e rijos, tijolos por tijolos a vista será apenas mais um comprometimento de suas almas. Vulture, Albatroz, ou qualquer carniceiro que viva dentro de você. Viva e deixe viver, ou adote um ego ambulante e suje um pouco as mãos de graxa. Aqui e ali ambos ficaremos imóveis, completamente mutáveis em prol de certos centos de trocados, não é delicioso ouvir o som das ruas, como o ruir duvidoso da coleta seletiva de lixo? Sim, todos estariam em uma "variedade" especifica do mesmo, contudo vibremos e vislumbremos a história de nossas vidas, momentos antes de morrer, e chamaremos isso de glória, a isso daremos o carinhoso apelido de beijo luxuoso no lixo.

Bebo todo santo dia cerca de oitos copos de uísque, e não me importa se é caro ou barato, na maioria das vezes depois do primeiro copo nem sinto mais o gosto mesmo. Difícil, diria eu, seria encarar todos os dias com o mesmo sorriso no rosto, falso, daqueles que apenas se tem por costume, ou por boa aparência. Foda-se, não acredito mais nisso. Mas veja bem, já fui como você, e você já será como eu. Não há culpa na salvação, assim como não existe pecado nos trópicos. Quente como o inferno, divertido como o mesmo deve ser! Absurdo talvez, mas quem se importa. Enfim, irei eu contar algumas histórias, e no mesmo período outras acometeram tuas entranhas, como se levasse seu "broto" ao cinema com a intenção de lhe apalpar os seios e em absoluta magnificência divina conseguiria uma noite divertida. Mesmo que sua parceira seja cega surda e manca. Engraçado a ironia da vida.

Meu nome não se diz, tão pouco os anos que faço, minhas rugas dizem mais de mim que eu mesmo poderia enumerar, contudo veja bem querido, não sou durão, apenas faço o que tem que se fazer. Imagine passar uma vida fugindo de seu próprio rosto, e acredite ao final das controvérsias, mesmo que obscuramente você o faz. Trabalho, digamos que com frellas, ou seja, muito trampo com as mãos, pouca gratidão, e quase nenhum "louro" romano por seus feitos. Mas nem só de trabalho vive o homem, tenho minha garota, o difícil é nomeá-la, com seu um metro e sessenta e oito de puro tesão feminino, mas veja bem, não é fácil nomear o que a cada casa muda seus proclames. Além disso, não seria um problema se existisse mesmo um deus, ou se ele não atendesse pelo meu nome em certos momentos.

Meus pulmões já estão comprometidos comigo mesmo, disse eu ao doutor, quando o mesmo mandou-me à um auxilio psiquiátrico, na tentativa frustrada de me fazer parar de fumar. Inútil, mas quase todos o são. Como o cego desdentado que absurdamente toca sanfona no sinal, pedindo moedas e encobrindo seus dotes de grande comerciante de material ilegal, oficio esse que ao que consta aprendeu de 1973 a 1988 quando cumpriu pena por violência domestica, ou achavam mesmo que ele era um velho inofensivo? Como eu disse todos somos carniceiros, assim como o Frei que estuprou cinco crianças dizendo ser o espírito santo, e quando pego alegou ter distúrbios mentais, não antes de dizer que os pobres meninos estariam mentindo com seus rabos despedaçados. Como eu gosto de dizer, ele era apenas a pica do diabo divino dentro dele, ainda existem outros órgãos corrompidos.

Violento não? Não, a vida imita os quadrinhos do Miller, ou seriam eles que imitariam a sua vida? Serão alguns dias de memórias, alguns dias de danos mentais reparáveis com benzo-diazepínicos. Aguarde!

domingo, 27 de setembro de 2009

Entrelace (Parte I)


Tudo redobra em estampidos fortes. Não passavam de três da tarde e o estomago rangia como uma degola de cabras. Outrora, outorgado do sabor de sangue, aqui estou eu. Sem erros, e acertos. Deveria ter tomado mais cuidado, menos ansiedade, mais acidez e talvez um tanto de inocência. Nem todo gato cai em pé. De fato cada um sabe onde apertam seus calos, suas mazelas entre tantos infortúnios propagados à Deus ou o Diabo. O suor frio da face, os carros parados, trânsito maldito, carro maldito, acidez clarividente. Solitariamente tal qual o verme come, abaixavam em embalagens retorcidas, mãos de modelos, corpos de prostitutas e pinturas de meretrizes, tal qual era o desprezo, tal qual era o prêmio à atuação. Existem dois momentos na vida, aquele em que se recorda dela, e o que se esquece dela.

Joelhos postos ao chão, olhar ávido de fogo, pulmões corroídos pelo monóxido, rostos suados contrapostos aos assustados. Os fracos sempre têm vez, de modo que burro é aquele que fica para ultima bala. Esse burro parece ter sido eu. Sinergia, anfetaminas, cafeína e nicotina me trazem talvez uma alternativa, o caminhão livre que roubarei à esquina, as pernas da madre, e tão composto é a densidade da pistola. Cano quente e fumegante. A lembrança de seu beijo no pescoço entre todos os antigos macetes não me permitia ao erro. Três corpos no chão sem cabeças, dois anteriores de tom completamente arroxeado e uma vaga lembrança do que fora meu dia. Dos olhares ardentes dela, mistos de euforia e medo, ao brilho efervescente instalado na minha cabeça dizendo certeiramente que sangue rolou, e rolaria mais.

Naquela tarde, pouca coisa indicaria o banho de sangue, lidava eu com mais uma rotina desalmada dos corpos que caminham sem alma, lidava eu com mais um dia de ignorância afirmativa, com paradoxos corporais, mentalidade incompatível e uma boa dose de lixo. Absoluto gosto de café na boca e uma ofuscada idéia do que é o sono de uma noite anterior bem destilada. A alforria do homem não está em quanto dinheiro ganha, mas no quão se esforça para adquiri-lo, de modo que, corpos nus normalmente são mais coesos que qualquer formulação teórica. O brilho intenso da luz arremetida à vidraçaria do boteco, onde porcos como eu caminham livres procurando alimento, destroçava a retina, de modo que nem mesmo a figura mais tênue de nossas trepadas caberia em minha visão mental. O V-8 me esperando, o colarinho cuidadosamente ajeitado, e aquelas palavras surgindo entre os timbres da minha cabeça. “Fale exatamente tudo o que achar que deve, mas não espere gratidão de algum possível rosto feminino”.

Ao sair do botequim, apenas mais uma velha conhecida imagem das ruas remetia à algo como Beirute pós guerra, ou Bagdad entre traques juvenis. Gente feia, mal acostumada com o termo humanidade. Entre o calor infernal propicio para o acasalamento de baratas. De tal modo que nem mesmo se aqueles corpos estivessem nus chamariam à atenção sexual de um maníaco. Talvez um carniceiro, não qualquer predador, e bastam alguns passos até a esquina pra comprovar o mau gosto destilado em suor, mau cheiro, e completa falta de classe mesmo com a imundice. Raras são as espécies aptas a compreender o que é a beleza nesses dias. Ao menos onde me ocupo existe isso por vezes.

Passos lentos, métrica pouca, e só, somente Graça nos dias de hoje valeriam mais do que uns trocados. Personificação da santa. Enfim, santas não dormem com mulheres, enchem o rabo de álcool, acabam por se marcar mais do que um escravo, e são tão sexys quanto o Demônio as fariam ser, conceberia assim se nesse plano estivesse, entretanto, só uma santa doaria prazer a corpos infectados pelo ódio, preguiça, avareza, luxuria ou gula. Mesmo que com uma quantidade absurda de dinheiro envolvida, somente uma santa dormiria com um gordo, não só apenas por dinheiro, mas por caridade. Graça era a minha mulher, meu tipo de mulher. Com o cheiro que os anjos devem ter, entre a boca que as meretrizes absolutamente ocupam, e o gosto que o diabo prova após um dia de trabalho.

Fazíamos todos parte do ramo de entretenimento, no qual, e somente no qual o grito é uma formula barata de prazer, o beijo do lixo no luxo, ou do luxo no lixo, nunca soube classificar bem, de maneira que pouco importa. As linhas circulares de seu corpo sempre me faziam perder a cabeça. De modo que nem mesmo sei como e porque a visão de suas cobras tatuadas me renderia mais que um malandro qualquer armado conseguiria. Uma visão nesse mar de almas sôfregas.
Acendi meu cigarro e caminhei ate o ponto onde aguardara meu veiculo, é absurdo como pessoas ainda pedem cigarros e tendem a te recriminar por mandá-las procurar um emprego. O mais absurdo é saber bem qual o tipo que lhe empunhasse tal pergunta. Sempre os mesmos de cabelos negros ou tingidos. Semi-sujos, com um vocabulário torpe, que nem a frangos metem medo. Aproxima-se lentamente, de modo que você percebe bem a sujeira entre seus dedos, a gordura na face, a pele queimada pelo sol e frio, e nem por isso são mendigos. Um mendigo teria mais classe. Os passos desses mortos vivos se traduzem em desespero, os olhos em aflição, arregalados como não mais o de uma fuinha esfomeada. Se a fome dói não é culpa minha. Desses tipos a única vantagem que se pode ter, são as drogas. Fácil acesso e baixa qualidade. Entre o que se pode chamar de alma nesse tipo, seria apenas a conjectura de um paspalho, enfim atrasado é que eu não iria chegar.

Abraçado pelos tentáculos do Diabo, seguiria eu à mais um aglomerado de sons, sirenes, estampidos e rojões, com sorte ao final do dia seria abençoado por cafetões e piranhas ate chegar ao clube, e por fim, trairia mais uma vez a verdade absoluta de padres ao ameaçar a vida de alguém com uma navalha. Enfim, são momentos como esses que fazem de você um sujeito de sorte.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

No Way Back From Here



Pegou as botas e as colocou novamente sua face na privada do banheiro. Dessa vez jurou por si mesma, que de alguma forma bizarra que fosse, procuraria a verdade além do ralo. A dignidade não se torna um inferno à toa. Conspirava com sua saia em courinho preta, curta, mas não muito, as meias arrastão, entre as pernas roliças que cantavam ao mover-se, de modo que nem mesmo um velho safado deixaria de entoar um agradecimento aos céus. Cansada de falar, falar, e falar, ouviam apenas as letras das ultimas canções da saudade. O Exílio, o domínio do ser que foste um dia já não era palpável, apesar de necessário. Ingrata a vida de quem anda, anda, e ainda assim não se sabe ao certo em qual tom começar a gritar. Essa seria a ultima canção, dentro de componentes falhos, e atos falhos, ao passo que teria a eternidade para conjecturar seus procedimentos pretensiosos. A aristocracia é algo a se invejar.

Cabelos soltos, já na altura dos ombros, definidos como um novo Way of Life, o excesso de expressões livres e regra chula. A inominável fome que sentia de timbres pesados de trombone. O sabor da lealdade tonto em meio a todos os goles de vodka, absoluta. Todas as palavras brotariam na face, mas jamais as diria, assim como jamais deixaria as mãos de um cafajeste tocar teus seios. Não tão certa disso, nem mesmo os azulejos de banho, as tomadas em curto-circuito, e os bombeiros da brigada mais próxima podiam avaliar essa normativa. Seu único companheiro não deixava de ser um traste, o objeto de consolo mais comum não passava de esguichar água, de modo que o ralo lhe era mais fiel, mas cômodo e mais misterioso que qualquer nova descoberta. Lamentável.

O autor diria que esse é o tipo de situação em que se percebe Foo Figthers é uma boa banda, e Jorge Amado um bom roteirista, enfim, tanto quanto as genitálias, as idéias e percepções não vacilam muito bem. Não existe ponderação, e o choro corre tão solto quanto o tiro no ouvido. Rabiscado e sem curvas, como a pele. De oncinha à óculos escuros, da sabedoria popular, até o Bruce Willis Lifestyle não existe margem para a moderação. Não beba no trânsito, ou trabalhe chapado. Não discuta com um cliente ou bata o carro. Todos esses não’s à ela pouco fodiam. A ultima experiência de trepada não fora tão interessante assim, salões de festas não têm glamour, aja visto que ela jamais recobrou seus pensamentos horizontais.

Do xadrez do vestido, pedia-se apenas vislumbrar o sol tocando as sombracelhas, da maquiagem obscura todos os detalhes de uma carreira ainda por vir bem fadada, de um tempo bem vivido e mal experimentado. Mas de todos os poros apenas o ralo permanecia virgem e imaculado. Apenas o ralo nada além do ralo era teu confidente, e mesmo o ralo não enxergava a lua como deveria ser. A pele cheia de comichões, a face tensa de vergonha e os olhos marejados de dor. O balé acabou, e determinou mais algumas alterações. Novas conjecturas, velhos jeitos de prometer ações. A vida nada mais é do que ranhuras de um long play, de modo que você é o que consome e o que dorme pra ser. A crônica perde o sentido e a prosa atormenta teu estilo. Quem houvesse de ser um marechal para dominar o mundo faria uma lei contra isso. No way back from here, nem mesmo com a nova batida do verão há de se sentir bem. Mas o ralo, o ralo ainda está lá, de maneira que, tudo o que Fitzgerald diz fizesse sentido. Nicotina, cafeína, codeína, Álcool, THC, clonazepam, cloridato de metilfenidado, e muito sódio, ainda provam que você tem força.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

HOTEL LIBERDADE CHECK OUT.


Noite quente, Um zumbido intermitente no ouvido, ônibus ao fundo. Parei no Hotel eram umas vinte três e meia. Fiz o check in, e me encaminharam ao quarto, cerca de cinco minutos depois o inferno começou. Mas não é daí que começa essa crônica, nem de longe parte a narrativa. Existe bem mais do que apenas começo meio e fim, e muito mais torturas que a carne pode supor, de modo que não seria justo começar a desdizer, criticar e auto-avaliar a si mesmo sobre tais circunstâncias. Alguns sempre que possível trazem a tona o fato de não ser mais tão inspirador, interessante ou menos casual. Sempre que possível trazem esses sons Echo's e afins, armam suas barricadas e por fim você está enforcado por um Dj qualquer. As músicas não têm mais o que dizer, suas letras variam entre "I've got nothin' to say...", os filmes uma tortura de "Trabalho sem diversão fazem de Jack um bobalhão!". Bom, eu. Eu faria de Jack um espertalhão, mas o enredo não é meu, e já por horas rodeei pra prover de onde termina e onde começa a crônica, certamente não do nascimento.

Com sete palmos a baixo do sol, escondendo suas sementes caminha vagarosamente o ser pela terra, progride feito de bactérias e microorganismos, lê-se, estuda, e por fim para que? Para algum retardado reformar a gramática e por franqueza demais dizer que tem que reaprender, e de fato se tem, aprendi isso sempre levando surras em bordeis, esquinas, e as vezes batendo em cafetões. Como diria um amigo meu, "Não sei se você matou essa prostituta! Tudo bem, você a esmurrou muito, jogou uma cadeira em cima, e a asfixiou com um saco, mas eu não sou médico! Ao que me consta ela pode ter morrido de causas naturais!", e bom, bem como sabem é assim que se progride na terra pródiga. Nicotina, fumaça do trânsito, o ar quente expelido pela boca nojenta do guarda no sinal, e o comprador que não se cativa com o material exposto. Tudo isso foi o começo do fim. Quando digo, a sete palmos abaixo do sol, escondendo suas sementes, de modo a perseguir com gratidão as ruas, e extinguir alguns de seus melhores defeitos, não é mero exagero.

A insônia reconte a malandragem absurda, e as peraltices de fato tornaria naquele rebento uma bela imagem de vida. Ainda muito jovem para fumar, e muito velho para apenas chorar. Aprenderia de fato como somar, e dividir, mas nada que subtrair. Na narrativa de Dylan diriam "que nada posso ter de culpa se eu ganhei um milhão. Apenas sou sortudo.". Dyln, café e cigarros seriam as próximas questões de sua vida. Provavelmente seres pediriam crônicas sob encomenda, o pior, de graça. Seu talento só era bem visto mesmo quando esperavam algo de si mesmos e não podiam encontrar embaixo das próprias saias. Dos aproveitadores que se julgava amigo, aos pobres podres e fodidos mendigos que se apaixonavam pelo seu bolso, de maneira que sentido não teremos nessa crônica, sempre parte de você essa iniciativa. Sempre cabe a você montar o texto, o livro de boa nova não foi compilado assim?

A habilidade de queimar seus pés sobre o chão, e tatuar círculos no braço apenas provam que você envelheceu, e depois de tantos dias tranqüilos odiou. A gastrite volta, e qualquer coisa que você pense de mim será em vão, porque e apenas porque eu quero assim. Todos deveriam querer as alienações de um quarto de hotel. Outono, uma das estações mais chatas e mais atraentes do universo. Dois maços de cigarros vermelhos ao dia, três garrafas de café, e dois copos de coca por hora, estatísticas de um velho a beira de um ataque de nervos e mesmo que a arma estivesse carregada, ainda não seria a hora de usá-la contra você ou eu. No edifício onde a liberdade é técnica figurativa, os vizinhos se fecham em copas, o que nem de longe é um pecado, os cães ladram e pelas grades vemos a caravana de carros passarem. Logo abaixo o mercado persa, sem seus tapetes figurativos, onde os loucos proclamam métodos de assassinato sobre um sol mais quente que as garotas da cidade, mais quente que o inferno seria um clichê desnecessário.

Ainda assim, passavam da meia noite, a música nada soft turbilhava arranhando os sons da rua, as furadeiras que outrora arrebentavam meus tímpanos em forma de motocicletas apenas narravam mais um dia na cidade, mais um inicio de noite. Mais uma dose de uísque para foder com essa gastrite!